40,30,35,25, 20… A opinião alheia não conta!!

São 40, 35, 30, 25, 20…. e a pergunta nunca é se estamos felizes com a vida que escolhemos. Perguntam-me se já me vou casar? Porque não tenho um carro? Perguntam-me se não percebo que o tempo está a passar? “Não queres ter filhos? Melhor que faças agora” Bons maridos foram já levados, vais ficar com qualquer coisa” Bom emprego? O que é isso? Você mazê aceita qualquer coisa, depois melhor virá..”

Você já pensou o quão faz infeliz ao outro, ao esperar que ele se enquadre e siga a sua noção de felicidade, de vida plena? Ou que ele faça as escolhas que você e os demais julgam as mais correctas? Pois devia.

Passamos e perdemos o nosso tempo inculcando no outro a nossa percepção sobre o que são as melhores escolhas na vida, mas não num acto de persuasão, fazêmo-lo no acto de coação moral que (talvez) sem que nos apercebamos ofendemos ou ferimos o outro.

Em tempos registei uma frase de Mia Couto em que ele dizia que “não é segurando nas asas que se ajuda um pássaro a voar. O pássaro voa simplesmente porque o deixam ser pássaro”[ Couto, Mia in Jesusalem]. É preciso viver e deixar viver, permita-se para depois permitir que o outro seja feliz. O seu contexto dita a sua escolha, é muita arrogância pensar que vivemos todos no mesmo ninho, ou que devíamos fazê-lo. Abrace a diversidade sem hipocrisia.

Eu não sou das mais perfeitas, nunca sequer quis ser, contudo onde não me sinto respeitada não permaneço. E ainda como diz o outro, “Os rios nunca enchem o mar, a vida de cada um também é assim: está sempre toda por viver.” E ninguém, digo mesmo ninguém, terá em suas palavras ou em sua vida a fórmula para minha felicidade, esse é unicamente meu dever.

As pessoas ao nosso redor vivem com opiniões sobre o que é certo para nós, ou o que devíamos ter feito, mas nunca olham nos nossos olhos para perceber a angústia que nos acompanha, sequer sentem a vida do nosso sorriso límpido, sorriso de quem está simplesmente vivendo o melhor dos seus dias com as escolhas que fez.

A vida é sempre tão curta, e ao mesmo tempo tão imensa e nós nos propomos a desperdiça-lá opinando no viver alheio. As vezes me convenço que é tanta gente metida na vida dos outros que estamos todos em processos cíclicos de vivência, sem com isso chegar a viver sequer um dia.

Nós não temos o dom da vida para viver conforme os idealismos alheios, ou para realizar os sonhos que outros não concretizaram em suas vidas. Imagine-se acordar para se casar porque deve, fazer filhos porque duvidam que seja fértil, ou aceitar um emprego porque é isso que é esperado de si, mas a sua vontade não está nisso. Não o faça, quando chegar a vez de morrer, ninguém dirá a morte que acha que aquele momento não é certo para que morra.

Viver é um acto de aceitação individual. Permita-se sentir o perfume das rosas ao seu redor, e se por ventura um espinho lhe ferir, tenha humildade de permitir que sare. Permita o silêncio se o que for dizer for ofender, ou se a sua opinião for invandir o espaço alheio.

Viva e deixe viver, ninguém nunca nasceu sabendo, por isso deixe que cada um tente a sua fórmula.

A vida é um conto que todos contam, mas ninguém nunca escreve o seu próprio fim.

4 thoughts on “40,30,35,25, 20… A opinião alheia não conta!!

  1. Já estava com saudades das ” Palavras e tempos”.. E não foi diferente desta vez, trouxeste algo que preocupa muito a todos jovens ultimamente. O relógio da sociedade. A hora certa imposta por esta, hora certa para casar, ter filhos, carro etc. Como se as 12horas fossem os 25 anos 🤦🏽‍♀️. E realmente nunca perguntam se estou/estamos felizes. Não me imagino acordar e casar porque devo. Todo mundo tem o seu próprio relógio, e cabe a cada um marcar a hora certa para seus planos.
    Aguardo ansiosamente pelas “palavras e tempos” futuras..

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  2. Que delicia…!
    “Você já pensou o quão faz infeliz ao outro, ao esperar que ele se enquadre e siga a sua noção de felicidade, de vida plena? Ou que ele faça as escolhas que você e os demais julgam as mais correctas? Pois devia.”
    Muito bem colocado!
    Pois é, Percina, o relógio da sociedade acaba sendo um perigo para quem não tem os pés firmes na terra, não tem foco, não tem objectivos claros, e não tem auto domínio e estima. A pressão social tem sido nefasta na vida dos jovens, que acabam metendo os pés pelas mãos.
    Grande desabafo, Deisy! Esse é o sentimento do qual compartilho, e obrigada por incentivar aos jovens a implementarem a sua própria fórmula da felicidade, e não deixar que outra pessoa o faça.

    Keep going!

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